As disfunções temporomandibulares,as cefaléias e as dores faciais,são consideradas um sério problema contemporâneo,principalmente quando estão associadas.As cefaléias ,incluindo as enxaquecas,apresentam-se como queixa recorrente em pacientes com DTM,tendo um índice de prevalência 48 a 77%.
Porém,ainda há muita controvérsia e discussão acerca do real impacto dos diversos tipos de cefaléia em pacientes com DTM,havendo-se a necessidade de compreenssão da patofisiologia de cada problema.
As dores orofaciais englobam uma série de patologias que envolvem a cabeça e prescoço e incluem as disfunções tempomandibulares,cefaléias,neuralgias ,dores de origem dentárias e dores idiopáticas.Na sua forma crônica chegam a afetar 10% dos adultos e até 50% dos idosos.Nesse contexto a DTM é considerada um termo coletivo utilizado para designar um grupo de desordens músculoesqueléticas que acometem a articulação temporomandibular (ATM),os músculos da mastigação e cervicais,ou em sua forma mais comum,ambas as estruturas.
Dentre as principais desordens,destaca-se a dor miofascial,a qual trata-se de uma síndrome clínica dolorosa,de tecidos moles,com origem musculoesquelética.Cristérios específicos estão evoluindo,mas incluem a presença de um ponto gatilho ativo caraterizado pela sensibilidade dolorosa circunscrita em um nódulo que é parte de uma banda tensa palpável formada por fibras musculares,além do reconhecimento por parte do paciente,da sensação despertada pela pressão sobre o ponto sensível,como lhe sendo clinicamente familiar.
Conforme dito anteriormente,esta síndrome destaca-se devido à sua elevada prevalência,não apenas em indivíduos com dores ou com DTM,mas também na população geral e assintomática,pelo grau de severidade da dor gerada,e principalmente por sua fisiopatologia não ser completamente conhecida.
Segundo estudos realizados,apesar do percentual de pessoas que sofrem de cefaléia,entre os indivíduos sem DTM,ser de 15,2%,possivelmente a frequência e a severidade não são as mesmas.As cefaléias são significativamente mais prevalentes em indivíduos com DTM (cerca de 27,4%),sendo o sexo feminino mais suscetível quanto ao grau de prevalência e severidade da dor.Na população adulta em geral, a cefaléia associa-se a sintomas temporomandibulares,particularmente durante as crises de dor de cabeça.
Em pesquisa recente,verificou-se uma maior taxa de prevalência de DTM entre pacientes com cefaléia combinada,tal fato levanta a hipótese de que a presença de migrânea (enxaqueca) e CTT ( cefaléia do tipo tensional) seria um possível fator de risco para o desenvolvimento de DTM.Ademais,a prevalência de sinais e sintomas de DTM esteve positivamente correlacionada com o grau de severidade e frequência de crises de dor de cabeça.
Embora ainda não haja uma completa compreenssão a respeito do mecanismo desencadeador da enxaqueca,sabe-se que em sua patofisiologia não há a participação da musculatura mastigatória.Porém,ao considerar que tanto a ATM como músculos da mastigação possuem invervação sensorial trigeminal,sendo esta também responsável pela condução de impulsos nociceptivos oriundos dos vasos sanguíneos cranianos envolvidos na gênese da enxaqueca,torna-se clara a possibilidade de um estímulo nociceptivo sobrepor-se ao outro em casos de comorbidade.Diante disso, a presença de sintomas da DTM parece causar um impacto excitatório na enxaqueca e vice-versa,principalmente em pacientes com quadro dolorosos severos e frequentes,com maior suscetibiliade ao fenômeno de sensibilização central.
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