terça-feira, 23 de abril de 2013

O QUE SÃO E COMO SÃO FORMADOS OS PONTOS GATILHOS ?

Olá Pessoal!

No estudo sobre as dores musculares e ou até mesmo no dia-a-dia escuta-se ou lê-se muito sobre pontos gatilhos ou triggers points,sendo estes popularmentes conhecidos como os famosos "nós" de tensão presentes na musculatura,como por exemplo no trapézio fibras superiores.Porém,muitas vezes há muitas dúvidas e questionamentos acerca do processo de formação desses nódulos de tensão e de suas causas.Então segue abaixo um breve resumo sobre a patofisiologia e a etiologia dos pontos gatilhos,espero que ajude a esclarecer um pouquinho.

O QUE SÃO PONTOS GATILHOS?


Os pontos gatilhos miofasciais (ou trigger points) são pequenas áreas hipersensíveis localizadas em uma banda tensa palpável da musculatura esquelética, que espontaneamente ou sob estímulo mecânico desencadeiam dor local e/ou referida em áreas adjacentes.

Os triggers points podem ser classificados como ativos ou latentes:

- Ativo => Ocorre quando sua estimulação (ex: palpação) gera dor referida e reproduz a queixa dolorosa preexistente referida pelo paciente. A dor é espontânea ou surge ao movimento, limita a amplitude do movimento (ADM) e pode causar sensação de fraqueza muscular

- Latente => Este encontra-se em áreas assintomáticas e só provocam dor local e referida quando estimulados. Não se associam à dor durante as atividades físicas normais.


PATOGÊNESE DOS PONTOS GATILHOS

Hipótese da crise energética (Energy crises theory)
             
Esta hipótese leva em consideração que uma lesão no sarcolema( membrana que envolve o feixe muscular) ou destruição do retículo sarcoplasmático, devido a um microtraumatismo, resulta em liberação de Ca++ e  acúmulo deste próximo ao local da lesão. O Ca++ livre interage diretamente com os miofilamentos, mesmo sem a presença de um potencial de ação, promovendo uma contração muscular mantida. Estando a circulação sanguínea normal, este processo é revertido pela remoção de Ca ++ de volta para o retículo sarcoplasmático, o que finaliza a contração muscular. Nos casos em que a circulação local está comprometida, a remoção de Ca++ não acontece ou é insuficiente, resultando em  uma área rígida, isquêmica, com acúmulo de resíduos metabólicos e sem chegada de fontes de energia.
             
Todos esses eventos contribuem para chamada “crise energética intensa local”. Por falta de fontes de energia, os sarcômeros não possuem ATP suficiente para ativar a bomba de Ca++, e assim não ocorre por seu retorno para o retículo sarcoplasmático, resultando em uma contração muscular máxima e sustentada dos sarcômeros. A dor sentida no local da lesão pode ser explicada pela liberação de substâncias, como bradicinina, prostaglandinas e histaminas, que podem sensibilizar nociceptores, devido à hipóxia local intensa e a crise energética dos tecidos.

Mecanismo de lesão
             
O mecanismo da lesão é a forma principal de desencadeamento de PGMs, independente de qual mecanismo fisiopatológico levará a sua formação. Estudos apontam microtraumas, agudos ou repetidos, como contribuintes para a formação desses pontos dolorosos, além de outros fatores como: distúrbios do sono, deficiências de vitaminas, predisposição para desenvolvimento de microtraumas e distúrbios posturais.
             
Como possíveis causas de microtraumatismos, podem-se apontar: alongamentos ou encurtamentos excessivos, sobrecarga muscular, movimentos repetitivos.
             
Microscopicamente, podem-se verificar encurtamentos de sarcômeros levando ao encurtamento muscular. A reação compensatória do músculo conta Ra dor, juntamente com o encurtamento patológico dos sarcômeros, provocam uma perda de flexibilidade. A perda da flexibilidade altera a mecânica articular e, consequentemente, perturba a propriocepção gerada nesta. Com a propriocepção anormal, não ocorre o envio de informações precisas do segmento corporal correspondente e uma nova lesão poderá se sobrepor e intensificar ainda mais o problema.


  



Na figura acima pode-se verificar como fica o sarcômero no estado de contração muscular,pois bem, no caso de um ponto gatilho presente na musculatura,este será o estado permanente em que a fibra muscular será mantida e não somente durante a contração.

Referências Bibliográficas

YENG, L.T.; KAZIYAMA, H.H.; TEIXEIRA, M.J. Síndrome dolorosa miofascial. JBA, Curitiba, v.3, n.9, p.27-43, jan./mar. 2003

SANTOS,R.V.C.;NASCIMENTO,J.D.S.E COLS.Pontos Gatilhos Miofasciais: Artigo de Revisão,RCSNV, João Pessoa, v.10, n.2, p.79 - 89, dez 2012.

ROCHA C.A.C.B.,SANCHEZ T.G.,SIQUEIRA J.T.T.Pontos-gatilho Miofasciais : Ocorrência e Capacidade de Modulação em Pacientes com Zumbido.Arq. Int. Otorrinolaringol. / Intl. Arch. Otorhinolaryngol.,São Paulo, v.10, n.3, p. 210-217, 2006.

Fonte das imagens:

www.cabuloso.xpg.com.br






terça-feira, 16 de abril de 2013

I CONGRESSO BRASILEIRO DE DOR OROFACIAL

Olá Pessoal!!

Nos dias 17 e 18 de Maio de 2013 acontecerá na cidade de São Paulo o I Congresso Brasileiro de Dor Orofacial: Disfunção Temporomandibular – Enfoque Contemporâneo. O evento está sendo organizado pela Sociedade Brasileira de Disfunção Temporomandibular e Dor Orofacial ( SBDOF) e contará com a presença de nomes importantes da odontologia,fisioterapia e medicina que atuam no tratamento dos distúrbios e dores orofacias.Será muito importante justamente pelo fato de ser interdisciplinar e bem específico,já que ainda não são muitos os eventos voltados para dor orofacial.Eu estarei lá com certeza!
 
 
 
Para os que estiverem interessados clique no link abaixo para saber mais informações:
 

quinta-feira, 7 de março de 2013

LIBERAÇÃO MIOFASCIAL E EXERCÍCIOS DE MÍMICAS FACIAIS NO PÓS-OPERATÓRIO DE CIRURGIA BUCO-MAXILO-FACIAL, QUAL SERÁ A IMPORTÂNCIA?


Olá queridos leitores!

Andei meio afastada aqui do nosso espaço e desde do ano passado não postava nada,tudo isso por conta dessa correria que é terminar um ano e começar outro,mas estou de volta e garanto um 2013 cheio de posts e novidades.

O tema desse primeiro post do ano surgiu através de uma observação em minha prática clínica nos atendimentos dos meus pacientes de pós-operatório no consultório, percebi que a sensação de peso na face e a dificuldade de executar as expressões faciais são queixas muito recorrentes dentres eles. Muitos reclamam da sensação de rigidez o que dificulta muito a execução dos movimentos dos músculos da face.

Diante disso,tenho inserido muitas vezes no protocolo de tratamento as manobras de liberação miofascial e os exercícios de mímicas faciais,sendo estes últimos citados muitas vezes utilizados no tratamento de pacientes com paralisia facial,e com isso tenho percebido melhora dessas queixas dos pacientes.

Para entendermos melhor,como a liberação miofascial e esses exercícios podem contribuir no pós-operatório de cirurgia buco-maxilo-facial,devemos relembrar da fáscia e de como sua aderência pode gerar repercussões.

A fáscia nada mais é do que uma lâmina de tecido fibroso e translúcido, que permeia o corpo humano e tem papel destacado em seus movimentos. Ela é a matriz tridimensional do corpo, sendo um esqueleto fibroso que suporta principalmente esforços de tensão, enquanto o esqueleto ósseo suporta esforços de compressão.

A imagem ilustra a fáscia de uma forma bem simples,basta imaginarmos que ela é um macacão de malha contínuo que envolve todo o corpo,dessa forma pode-se entender como uma restrição em determinado local pode gerar repercussões em vários outros e impedir a adequada movimentação da musculatura.



Segundo o fisiatra especialista em fáscias Luiz Fernando Bertolucci, a manipulação desse tecido fibroso, libera aderências permitindo o reposicionamento dos músculos, podendo ainda ter um efeito adicional na estimulação do sistema nervoso,visto que essas aderências impedem o livre deslizamento mútuo dos músculos,os quais consequentemente serão sobrecarregados.



 

 
 
 
A lubrificação dos tecidos ocorre entre a interface do sistema de fáscias,e muitas vezes traumas e cirurgias produzem aderências nestas interfaces de deslizamento de corpos musculares comprometendo a função motora e diminuindo o aporte sanguíneo dos tecidos.
Portanto,diante dessa explicação pode-se entender um pouco mais do porquê da rigidez muscular e dificuldade de movimentação apresentada pelos pacientes na fase pós-operatória,pois como já dito anteriormente as aderências ocasionadas pelo processo cirúrgico e pela pouca mobilidade restringem a musculatura,e esta fica incapacitada de realizar os movimentos de forma integral,tornando-se cada vez mais encurtada e rígida.
Com isso,nessa situação é de extrema importância a execução de manobras de liberação miofascial ,para que haja a resolução das aderências e a fáscia “descole” da musculatura,seguidas de exercícios de mímicas faciais pois estes além de recuperarem a funcionalidade da musculatura da face,favorecerem a mobilidade do sistema miofascial, também podem corrigir possíveis assimetrias facias,que podem aparecer durante a execução dos movimentos, decorrentes de desequilíbrios musculares e aderências fasciais.
 
As imagens abaixam mostram alguns dos exercícios de mímica facial que podem ser realizados.





 
 
 

 Referência bibliográfica
CAMPOLIM, SILVIA, and LUIZ FERNANDO BERTOLUCCI. "Esqueleto." Antidepressivos: 20079.



quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

MÁSCARA TÉRMICA THERMO MAXX

Olá Pessoal!!!

Sempre estou pesquisando e estudando para aprimorar meus conhecimentos e buscar o que tiver de mais novo na área a fim de que eu possa melhorar o atendimento realizado em meus pacientes.Bom,em umas dessas minhas pesquisas achei um blog comentando sobre a máscara térmica Thermo Maxx e eu logo cliquei para ir direto no site do produto para poder entender melhor como funcionava.Após ler tudo que tinha no site e ver vídeos,fiquei bem interessada,pois ela foi desenvolvida na Universidade de Brasília e a sua fundamentação fazia sentido,já que é uma máscara na qual existem bolsos internos e neles você encaixa bolsas de gel que possuem formatos anatômicos da musculatura do masseter e temporal ou um disco pequeno próprio para gerar analgesia localizada na ATM.
 
 

Bom,então para ver se essa teoria aplicava-se na prática realizei o pedido da máscara para testá-la, e há alguns dias ela chegou.Não posso ainda concluir a minha resenha sobre o produto pois ainda estou em fase de testes com ela,o que posso adiantar é que testei e achei a sensação bem agradável,porém,não estava com dores,então ainda não sei sobre sua eficácia analgésica e na redução de edemas.
 
Portanto,logo farei outro post contando sobre a minha conslusão dos beneficíos da máscara.

 
 
 
 

ENTENDA COMO O ESTRESSE DIÁRIO PODE CAUSAR DISFUNÇÃO TEMPOROMANDIBULAR

A Sociedade Brasileira de Disfunção Temporomandibular e Dor Orofacial (SBDOF) lançou esses dias em seu canal do YouTube um vídeo,muito bom, de divulgação sobre a Disfunção Temporomandibular.Com produção impecável o vídeo mostra como os estresses diários podem acarretar em uma DTM e como isso pode prejudicar a vida das pessoas que sofrem com essas dores.Confiram!!!
 
 
 
E aí o que vocês acharam?? Viram alguma situação semelhante que também ocorre no seu dia-a-dia??

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

A IMPORTÂNCIA DO "TIME" MULTIDISCIPLINAR CONTRA A CEFALÉIA

Olá queridos leitores!!!

Li essa semana um artigo muito bom publicado em 2011  no The Journal of Headache and Pain sobre a importância da equipe multidisciplinar no tratamento de cefaléias primárias e cefaléias devido à uso excessivo de medicação.
 
Na pesquisa os autores destacam que a prevalência de cefaléias na população aumenta cada vez mais, e isso consequentemente,acarreta à elevados custos para os sistemas públicos de saúde.Segundo eles,outro fato que piora essa situação é que muitas vezes essas pessoas acometidas com cefaléia passam a sofrerem no estágio crônico,sendo o tratamento ainda mais difícil e oneroso.O excesso de medicação com triptanos e analgésicos também seria outro fator que poderia complicar o tratamento das cefaléias.Com isso,eles levantam a questão da importãncia de um tratamento preventivo educacional e não farmacológico,previnindo a cronificação e o uso excessivo de medicação,e estabelecer um programa de tratamento com uma equipe multidisciplinar seria,portanto,um passo para otimizar os cuidados com esses pacientes.Isso vem ocorrendo em muito Centros de Cefaléia na Europa,porém,ainda há escassez de resultados publicados.
 
Dentre os componentes da equipe multidisciplinar,os pesquisadores destacam:neurologistas,psicológos,fisioterapeutas,educadores físicos,psquiatras,enfermeiros,dentre outros.
 
 
 
Gostei bastante e achei muito válida a parte do texto onde é abordado o papel do fisioterapeuta no "time" multidisciplinar,seguem abaixo alguns dos trechos:
 
O objetivo principal da fisioterapia é a prevenção de episódios de enxaqueca, ao invés de,apenas alívio dos sintomas após a crise já instalada.
 
Dor cervical é um dos sintomas mais comum em pacientes com cefaléia,e provavelmente este possui patofisiologia muito próxima de muitos tipos de cefaléia.Existem fortes evidências de que vários de relaxamentos podem ser efetivos para a prevenção da migrânea.
 
Os fisioterapeutas podem desempenhar papel importante no tratamento de pacientes com cefaléias do tipo tensional,cefaléias cervicogênicas,migrâneas e cefaléias decorrentes de disfunção temporomandibular.
 
A combinação de Terapia Manual e exercicíos físicos produzem melhorias na dor,,função,qualidade de vida e satisfação do paciente,tanto a curto como a longo prazo.
 
Os autores concluíram que existem evidências acumuladas que a Fisioterapia pode ser um elemento importante na equipe multidisciplinar especialmente em pacientes com cefaléia do tipo tensional,enxaquecas,cefaléias cervicogênicas e atribuídas à DTM.
 
Como já mencionei várias vezes aqui no Blog,fico muito feliz quando vejo a importância da Fisioterapia sendo citada em publicações científicas, pois isso gera um respaldo ainda maior para o nosso trabalho.
 
Se você quiser ler o artigo, o que eu aconselho,segue o link abaixo:
 
 
Até o próximo post!
 
 

domingo, 18 de novembro de 2012

RELATO SOBRE ZUMBIDO NO OUVIDO E DTM

Olá queridos leitores!!

O post de hoje é bem breve,apenas para indicar que vocês assistam um vídeo,no qual contém o relato da Rossanna Pereira Pinheiro sobre como o zumbido no ouvido decorrente de uma DTM afetou a sua vida.Achei muito importante,pois de acordo com o que ela mesmo diz no vídeo,muitas pessoas também podem estar passando por problema semelhante ao dela e não sabem solucioná-lo.Abaixo está o link para o vídeo:

http://www.youtube.com/watch?v=TADIbvwC4TI

Até o próximo post!!!

terça-feira, 23 de outubro de 2012

INTERDISCIPLINARIDADE BENEFICIANDO PACIENTES COM DOR OROFACIAL

Olá queridos leitores!

Hoje fiquei muito feliz com a publicação que li no blog Por Dentro da Dor Orofacial, da cirurgiã-dentista especialista em Dor Orofacial e DTM Juliana Stuginski Barbosa.No post ela aborda  a interdisciplinaridade no tratamento de pacientes com Dor Orofacial,enfatizando a importâcia da inserção da Fisioterapia e da Fonoaudiologia na equipe interdisciplinar.
 
Para comentar o assunto ela convidou o Fisioterapeuta César Becalel Waisberg para escrever um breve comentário sobre a atuação da Fisioterapia.Um dos trechos mais relevantes que achei do texto foi quando autor diz o seguinte: "É uma pena que ainda existam profissionais por aí que acham que podem resolver tudo sozinhos. Mas com o tempo, pensando assim, vão perder espaço para aqueles que mantêm a mente aberta."

Iniciativas como essas são muito importantes para que a nossa profissão,principalmente nessa área,seja cada vez mais reconhecida como sempre venho batendo nessa tecla aqui no Blog.
 
À propósito descobri o Blog da Dra.Juliana há algumas semanas e tenho lido com muita frequência,pois as publicações são muito boas e extremamente relevantes e diversificadas,contendo comentários sobre artigos,dicas de sites,divulgação de cursos e  eventos na área de dor orofacial,dentre outros.
 
Segue abaixo o link da publicação:
 

 
 

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

A IMPORTÂNCIA DA TRANSMISSÃO CIENTÍFICA NO TRATAMENTO DA DOR OROFACIAL

Realizando minhas pesquisas na internet para fazer novos posts,encontrei uma postagem,no blog do cirurgião-dentista João Henrique Krahenbuhl Padula, extremamente interessante para se fazer uma reflexão acerca da questão levantada que era " Por que precisamos de transmissão científica em Dor Orofacial?".

Segue abaixo alguns trechos da publicação:

Algo muito comum em nosso atendimento são os pacientes questionarem o motivo da escolha por determinado tipo de tratamento. Enfatizo que, não apenas hoje, mas há algumas décadas, a “opinião pessoal do expert” diminuiu de importância diante da Odontologia Baseada em Evidências.

Não quero descartar a experiência clínica. Ela ainda é importante, mas deve estar ancorada na melhor evidência científica.
Na Dor Orofacial todos batem o seu martelo de tratamento, e, ” tudo o que está na frente do martelo é prego”
Não importa o diagnóstico !!, não importam todos os diferentes sub-tipos de DTM!! ( artralgias , inflamatórias , reumáticas, secundárias a neoplasias, dores miofasciais, com limitação , sem limitação, deslocamentos de disco, com redução, sem redução, limitações estruturais, !!), não importa se a cefaléia é primária ou secundária!!, não importa se a dor é aguda ou crônica!!, se existe ou não sensibilização central!!, se o quadro é de alodínia ou de hiperalgesia!!, não importa se a dor é neuropática!!, miofascial!! ou de outras origens………..

O x da questão:

A que tipo de avaliação o paciente foi submetido? Como a DTM e a DOR Orofacial foi classificada? Através de que tipo de abordagem ? Quais foram os métodos para o diagnóstico?

Infelizmente ainda encontramos formadores de opiniões que defendem o seu “achismo” ou acreditam no “mito” repetido tantas vezes na literatura e que, pela repetição, vira verdade. No caso específico da DTM temos vários exemplos de mitos:


1) Exame de imagem :
Se a Tomografia computadorizada mostrar o côndilo na posição posterior , vai comprimir a zona bilaminar e gerar dor.
2) Temos 5 má oclusões classificadas que” causam ” DTM:
Mordida aberta anterior, mordida cruzada unilateral, ausência de dentes posteriores, e por aí vai… etc (Avaliar com cautela a tão antiga e propagada Review McNamara Jr. 1995 )- Não estabelece relação para qual sub-tipo de DTM ! , e o própio autor não é conclusivo em seu achado.
3) Exame de imagem :
_ Voce tem sub-luxação do côndilo , na abertura máxima, ele ultrapassou o vértice da eminência e o seu queixo pode cair!
4) Se voce não tratar a sua má oclusão , ou não fizer a cirurgia ortognática que eu estou lhe propondo, na velhice, sofrerá fortes dores na cabeça!
5) Isso que você sente: labirintite, zumbidos, dor na coluna, dor na cabeça, dor nos braços são sintomas de quem tem ”ATM” ou tem ”má oclusão”.
Esses mitos mal esclarecidos se tornam um verdadeiro campo minado de iatrogenias e sobre-tratamentos para tratar uma doença ( neste caso DTM) caracterizada por remissão espontânea e regressão à média.

A partir destes conceitos , cada profissional, utilizando da sua especialidade , promove o seu tratamento. Alguns dizem: “A Ciência engessa a clínica”. Como podemos culpar o conhecimento científico de engessar a clínica? O que a Odontologia Baseada em Evidências faz é submeter a testes todos os tipos de teorias e técnicas , sem discriminação.
Só que o caminho inverso também deveria ser respeitado, ou seja , o profissional deveria estar atento à literatura validada. Deveria entender melhor de que maneira um paciente com queixa de Dor deveria ser avaliado, antes de implantar determinado tipo de tratamento.
Para respaldar o que está escrito acima, transcrevo texto de Charles S. Greene
Transferência Científica na Dor Orofacial
Dor Orofacial- Da Ciência Básica à Conduta Clínica
Pubilcação de Charles S. Greene do capítulo 28 , pag 232
Quadro 28-3

OBS: Clique na imagem para visualizá-la melhor.
Concordo plenamente com muito do que foi dito no texto acima,pois não podemos atender nossos pacientes,dar diagnósticos e traçar condutas terapêuticas se não tivermos um suporte científico dado através das evidências de pesquisas publicadas.
Um ponto muito importante,para nós fisioterapeutas,está contido no quadro acima onde fala que "os dentistas podem não uitlizar os tratamentos apropriados e ter um conhecimento limitado do valor da fisioterapia".Esse é um dos motivos pelo qual batalho para divulgação da importância e da eficácia da fisioterapia na área de buco-maxilo-facial,pois sei que o desconhecimento ainda é grande e ainda temos um caminho longo pela frente,apesar de já termos conseguido significativos avanços.
Segue abaixo o link do post na íntegra:

A POSSÍVEL RELAÇÃO ENTRE ALGUNS TIPOS DE CEFALÉIA E DTM

As disfunções temporomandibulares,as cefaléias e as dores faciais,são consideradas um sério problema contemporâneo,principalmente quando estão associadas.As cefaléias ,incluindo as enxaquecas,apresentam-se como queixa recorrente em pacientes com DTM,tendo um índice de prevalência 48 a 77%.

Porém,ainda há muita controvérsia e discussão acerca do real impacto dos diversos tipos de cefaléia em pacientes com DTM,havendo-se a necessidade de compreenssão da patofisiologia de cada problema.
 
As dores orofaciais englobam uma série de patologias que envolvem a cabeça e prescoço e incluem as disfunções tempomandibulares,cefaléias,neuralgias ,dores de origem dentárias e dores idiopáticas.Na sua forma crônica chegam a afetar 10% dos adultos e até 50% dos idosos.Nesse contexto a DTM é considerada um termo coletivo utilizado para designar um grupo de desordens músculoesqueléticas que acometem a articulação temporomandibular (ATM),os músculos da mastigação e cervicais,ou em sua forma mais comum,ambas as estruturas.

Dentre as principais desordens,destaca-se a dor miofascial,a qual trata-se de uma síndrome clínica dolorosa,de tecidos moles,com origem musculoesquelética.Cristérios específicos estão evoluindo,mas incluem a presença de um ponto gatilho ativo caraterizado pela sensibilidade dolorosa circunscrita em um nódulo que é parte de uma banda tensa palpável formada por fibras musculares,além do reconhecimento por parte do paciente,da sensação despertada pela pressão sobre o ponto sensível,como lhe sendo clinicamente familiar.

Conforme dito anteriormente,esta síndrome destaca-se devido à sua elevada prevalência,não apenas em indivíduos com dores ou com DTM,mas também na população geral e assintomática,pelo grau de severidade da dor gerada,e principalmente por sua fisiopatologia não ser completamente conhecida.

 
Segundo estudos realizados,apesar do percentual de pessoas que sofrem de cefaléia,entre os indivíduos sem DTM,ser de 15,2%,possivelmente a frequência e a severidade não são as mesmas.As cefaléias são significativamente mais prevalentes em indivíduos com DTM (cerca de 27,4%),sendo o sexo feminino mais suscetível quanto ao grau de prevalência e severidade da dor.Na população adulta em geral, a cefaléia associa-se a sintomas temporomandibulares,particularmente durante as crises de dor de cabeça.
Em pesquisa recente,verificou-se uma maior taxa de prevalência de DTM entre pacientes com cefaléia combinada,tal fato levanta a hipótese de que a presença de migrânea (enxaqueca) e CTT ( cefaléia do tipo tensional) seria um possível fator de risco para o desenvolvimento de DTM.Ademais,a prevalência de sinais e sintomas de DTM esteve positivamente correlacionada com o grau de severidade e frequência de crises de dor de cabeça.

 
Embora ainda não haja uma completa compreenssão a respeito do mecanismo desencadeador da enxaqueca,sabe-se que em sua patofisiologia não há a participação da musculatura mastigatória.Porém,ao considerar que tanto a ATM como músculos da mastigação possuem invervação sensorial trigeminal,sendo esta também responsável pela condução de impulsos nociceptivos oriundos dos vasos sanguíneos cranianos envolvidos na gênese da enxaqueca,torna-se clara a possibilidade de um estímulo nociceptivo sobrepor-se ao outro em casos de comorbidade.Diante disso, a presença de sintomas da DTM parece causar um impacto excitatório na enxaqueca e vice-versa,principalmente em pacientes com quadro dolorosos severos e frequentes,com maior suscetibiliade ao fenômeno de sensibilização central.
 
Fontes bibliográficas: